Quiz de figuras musicais e pausas: o que testa
Um quiz de figuras musicais e pausas testa uma coisa só, e bem estreita: você bate o olho no símbolo e diz a duração dele, sem precisar contar a partir de outra figura. Isso é velocidade de reconhecimento, não teoria musical. A folha de exercícios funciona quando te obriga a produzir o nome de memória, e falha quando o gabarito está ali no alto da página e você acaba comparando desenhos em vez de lembrar deles.
Quase toda folha pronta que você acha na internet foi feita para a sala de aula, onde existe um professor olhando o relógio. Estudando sozinho, a pressão de tempo é você que precisa criar, e isso muda o tipo de material que vale a pena usar.
O que o quiz mede de verdade
Dentro de "identificar figuras e pausas" moram duas habilidades separadas, e as folhas de exercício costumam misturar as duas sem avisar.
Símbolo para nome. Você vê uma cabeça preta com haste e um colchete, e diz "colcheia". É memória de associação pura, o mesmo formato cognitivo de vocabulário de idioma ou de kanji. Isso precisa ficar automático, abaixo de um segundo.
Nome para valor no contexto. Você vê uma pausa de semínima num compasso 6/8 e diz quantos tempos ela ocupa. Isso depende da fórmula de compasso, então é raciocínio, não memória. Uma folha que junta os dois tipos sem separar te deixa sem saber por que errou: foi porque esqueceu o símbolo ou porque leu o compasso errado?
Antes de usar qualquer folha, confira ela contra essa divisão. Se toda questão é "escreva o nome embaixo do símbolo", você está treinando reconhecimento. Se as questões perguntam "quantas dessas cabem no compasso", você está treinando conta em cima do reconhecimento, e aí o reconhecimento precisa estar firme primeiro, senão a conta vai parecer impossivelmente lenta.
O conjunto de símbolos é pequeno, e essa é a boa notícia
O inventário todo de iniciante é mais ou menos isto:
| Figura | Pausa | Tempos no 4/4 |
|---|---|---|
| Semibreve | Pausa de semibreve | 4 |
| Mínima | Pausa de mínima | 2 |
| Semínima | Pausa de semínima | 1 |
| Colcheia | Pausa de colcheia | 1/2 |
| Semicolcheia | Pausa de semicolcheia | 1/4 |
Dez símbolos, mais ponto de aumento e ligadura como modificadores. É menos do que uma semana de vocabulário de idioma. O motivo pelo qual as pessoas levam semanas nisso mesmo assim é que as pausas são aprendidas passivamente. As figuras a gente desenha, toca e conta em voz alta o tempo todo; as pausas passam batido, porque silêncio não produz som para associar ao desenho. Confundir pausa de mínima com pausa de semibreve é o erro clássico, e ele sobrevive meses em gente que no resto lê partitura sem problema.
Se você vai montar seu próprio quiz, pese ele para o lado das pausas. Dois terços de pausas, um terço de figuras, até as pausas pararem de hesitar.
Por que o exercício funciona melhor que ler a tabela
O motivo de a prática em formato de quiz funcionar aqui não é motivação. É que buscar a resposta na memória muda a própria memória.
Nos experimentos de Roediger e Karpicke em 2006, estudantes que leram um texto uma vez e depois fizeram testes de recordação lembravam bem mais uma semana depois do que estudantes que releram o texto várias vezes, mesmo o grupo da releitura estando mais confiante. A revisão de técnicas de estudo de Dunlosky e colegas, de 2013, classificou a prática com testes entre as estratégias mais amplamente eficazes que existem, e colocou releitura e marca-texto entre as mais fracas.
Identificação de figuras é praticamente o caso mais limpo possível para isso. As respostas são curtas, não têm ambiguidade e dão nota objetiva. Não tem interpretação para discutir, que é exatamente a condição em que o autoteste rende mais. Compare com matéria de redação ou de discursiva, onde você pode lembrar de um fato e ainda assim não saber se a sua versão estava suficiente.
Na prática: tampe o gabarito, diga o nome de cada símbolo da página em voz alta, depois confira. Não fique lendo a tabela de símbolos e nomes de cima para baixo, porque isso parece produtivo e em grande parte não é. É a mesma lógica de transformar suas anotações em simulado, só em escala menor.
Montando um quiz com o seu próprio material
Folha de exercício pronta existe aos montes e a maioria é boa. O problema é que a que você baixa raramente combina com a que o seu professor corrigiu, e os símbolos que você especificamente erra não são os que uma folha genérica enfatiza.
Quatro passos para converter o que você já tem:
- Fotografe a página da apostila ou do caderno que mostra a tabela de figuras e pausas, junto com qualquer exercício que o professor tenha corrigido.
- Separe em dois conjuntos de questões: um que só pergunta símbolo para nome, outro que só pergunta valor no contexto. Mantenha separados para conseguir ver qual está fraco.
- Anote os seus erros como um conjunto próprio. Depois da primeira rodada, três ou quatro símbolos vão responder por quase todos os erros. Esses quatro são o exercício de verdade.
- Refaça depois de um dia, não depois de dez minutos. Refazer na hora dá sensação de acerto e ensina pouquíssimo; é o intervalo que deixa a busca na memória trabalhosa o bastante para fixar.
Se você não quiser redigitar a tabela, o Qora transforma uma foto da página nesse conjunto de questões, com o reconhecimento de texto acontecendo no seu celular e não num servidor. Ele gera múltipla escolha, completar lacuna e recordação aberta a partir do material que você fotografou, que é justamente o que interessa aqui: os símbolos no estilo de notação que o seu livro usa.
Onde o exercício deixa de servir
Uma folha de identificação de figuras tem vida útil curta, e passado esse ponto ela vira uma forma de fugir do treino difícil.
Dizer o nome dos símbolos numa página não é ler ritmo. Alguém pode tirar nota cheia identificando toda pausa isolada e desmontar completamente ao bater palmas num ritmo de quatro compassos, porque leitura musical acontece no tempo, em andamento, com o olho indo na frente da mão. A folha remove exatamente a pressão que torna a leitura rítmica difícil.
A folha também não consegue te ensinar como é a sensação de uma colcheia pontuada seguida de semicolcheia. Isso precisa ser contado em voz alta, batido ou tocado. Identificação é o vocabulário; leitura rítmica é a frase, e ninguém aprende a falar com lista de palavras.
A regra razoável: treine identificação até ficar rápida e chata, o que para a maioria das pessoas leva menos de uma semana de sessões curtas, e aí pare e vá para exercícios de bater palmas com metrônomo. Se você ainda está fazendo folhinha de identificação no segundo mês, ela já virou o substituto confortável daquilo que é realmente difícil.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre pausa de semibreve e pausa de mínima?
A pausa de semibreve fica pendurada abaixo da quarta linha da pauta; a pausa de mínima fica apoiada em cima da terceira linha. O truque de memória mais usado é que a pausa de semibreve é mais pesada, então ela pende, e a de mínima é mais leve, então ela se apoia em cima. Trocar essas duas é o erro mais comum em quiz de identificação, então treine esse par sozinho, sem misturar com as figuras.
Quantas figuras e pausas eu preciso saber de verdade?
Para leitura de nível iniciante, cinco valores de figura e as cinco pausas correspondentes, mais ponto de aumento e ligadura. É esse o conjunto que quase toda folha de exercício cobra. Fusa e pausa de fusa existem, mas aparecem pouco antes de você estar lendo material bem avançado, então deixe para quando encontrar uma.
Devo treinar figuras e pausas juntas ou separadas?
Separadas primeiro, depois juntas. As figuras recebem muito mais prática incidental que as pausas, porque você toca as figuras, então a pausa é quase sempre a metade fraca. Treine as pausas sozinhas até ficarem tão rápidas quanto as figuras, e só então misture, porque o conjunto misturado é o que você vai encontrar lendo música de verdade.
Folha impressa ou quiz no aplicativo: o que rende mais?
Nenhum dos dois é melhor por natureza; a diferença está em quando vem o retorno e se as questões batem com o seu material. Uma folha impressa com gabarito atrás já te dá uma tentativa real de recordação, que é a parte que importa. O aplicativo faz diferença quando você quer as questões geradas do seu próprio livro, quer elas embaralhadas para parar de memorizar posição na página, ou quer controle automático de quais símbolos você segue errando. Uma folha que você realmente termina vale mais que um app que você abre uma vez.
Quiz de identificação funciona porque força a busca na memória num conjunto pequeno de símbolos sem ambiguidade, e funciona mais rápido quando você pesa ele para as pausas e para os quatro ou cinco símbolos que você especificamente erra. Pegue a tabela que o seu livro ou o seu professor te deu, tampe os nomes e diga os dez símbolos em voz alta. Aqueles em que você hesitar são o seu exercício de amanhã.