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Como fazer flashcards em casa: método de 6 passos

Para fazer flashcards em casa você precisa de três coisas: um monte de fichas ou papel cortado em retângulos, uma caneta e uma lista do que você vive esquecendo. Escreva uma pergunta na frente e uma resposta no verso, depois separe os cartões em caixas conforme o quanto você já domina cada um. A montagem inteira leva uns vinte minutos e custa menos que um lanche.

O que decide se isso funciona não é o material. É se a frente do cartão obriga você a puxar algo da memória em vez de apenas reconhecer.

O que você precisa

Dá para montar um baralho utilizável com o que já existe na maioria das casas.

Material Custo Melhor para
Fichas pautadas (7,5 x 12,5 cm) Barato, vendidas em pacotes de 100 Baralhos padrão, duráveis, cabem numa caixa de sapato
Folha de sulfite cortada em oito Grátis Baralhos grandes que você vai jogar fora depois da prova
Post-it Grátis se você já tem Cartões que você quer colar na parede ou no espelho
Papel cartão ou caixa de cereal velha Grátis Cartões que sobrevivem à mochila
App de notas do celular Grátis Vocabulário e datas para revisar no ônibus

Uma caixa de sapato, um estojo ou três envelopes já servem como sistema de armazenamento. Você não precisa de uma caixa própria para flashcards.

Os seis passos

1. Junte o material de origem num lugar só. Abra o capítulo do livro, suas anotações de aula, a lista de exercícios, o resumo do professor. Cartões feitos a partir da lembrança do que você deveria saber são piores que cartões feitos a partir do que o material realmente diz.

2. Marque só o que você ainda não consegue lembrar. Leia uma seção, feche o material e diga os pontos principais em voz alta. O que você não conseguiu dizer vira cartão. O que você conseguiu, não. A maioria dos estudantes faz cartões demais, e é por isso que os baralhos são abandonados na terceira semana.

3. Uma pergunta por cartão. Frente: uma pergunta. Verso: a resposta completa mais curta possível. Se o verso precisa de três tópicos, então são três cartões, não um.

4. Escreva a resposta com suas próprias palavras. Copiar a frase do livro do jeito que ela está te dá um cartão que você reconhece mas não consegue produzir. Reescrever obriga você a entender o conteúdo uma vez ali na criação, o que já é prática extra de graça.

5. Numere ou use cores por tema. Uma letrinha no canto (L para ligações químicas, C para cinética) faz um baralho derrubado no chão ser resolvido em dois minutos em vez de vinte. Canetas coloridas funcionam do mesmo jeito.

6. Monte três caixas. Rotule como Diária, A cada três dias e Semanal. Todo cartão novo começa na Diária.

Como escrever cartões que realmente cobram você

A diferença entre um baralho que funciona e um baralho que desperdiçou seu fim de semana costuma ser uma coisa só: se a pergunta tem uma resposta única e específica que você precisa gerar.

Cartão fraco: "Revolução Francesa." Isso é um tema, não uma pergunta, e não tem como você errar.

Cartão melhor: "Qual crise financeira levou Luís XVI a convocar os Estados Gerais em 1789?" Uma resposta, e ou você produz ela ou não.

Isso importa porque o ganho dos flashcards vem de recuperar a informação, não de olhar para ela de novo. Nos experimentos de Roediger e Karpicke em 2006, estudantes que se testaram repetidamente sobre um texto lembraram cerca de 61 por cento dele uma semana depois, enquanto quem passou o mesmo tempo relendo lembrou cerca de 40 por cento. Na hora, reler parecia mais produtivo para os participantes. Não era. Dunlosky e colegas chegaram à mesma conclusão na revisão de 2013 sobre dez técnicas de estudo: testar-se e distribuir a prática ao longo do tempo receberam nota alta de utilidade, enquanto reler e marcar texto com marca-texto ficaram com nota baixa.

Algumas regras que saem disso:

  • Peça um fato, uma definição, um passo ou uma comparação por cartão
  • Evite perguntas de sim ou não, já que jogar uma moeda acerta metade delas
  • Para processos, faça um cartão por etapa mais um cartão perguntando a ordem
  • Para vocabulário em outra língua, faça cartões nos dois sentidos, porque reconhecer uma palavra não é a mesma coisa que produzi-la

Se você está convertendo um caderno inteiro de aulas em vez de um capítulo, a mecânica muda um pouco e vale planejar: transformar anotações em flashcards sem varar a noite é, na prática, uma questão de decidir o que deixar de fora.

Como revisar: a caixa de Leitner

Sebastian Leitner descreveu esse sistema no livro dele sobre aprendizagem, de 1972, e ainda é o jeito mais simples de espaçar repetições sem software.

Caixa Quando revisar O cartão sobe quando O cartão volta quando
1. Diária Toda sessão de estudo Você acerta não se aplica
2. A cada três dias Segunda / quinta Você acerta Você erra, volta para a Caixa 1
3. Semanal Domingo Você acerta duas vezes Você erra, volta para a Caixa 1

Dois hábitos fazem diferença real aqui. Primeiro, diga a resposta em voz alta ou escreva antes de virar o cartão. Pensar "ah, essa eu sei" é reconhecimento, e reconhecimento é exatamente o que te engana no dia da prova. Segundo, resista à vontade de aposentar cartões cedo demais. Kornell e Bjork mostraram em 2008 que estudantes que tiravam os cartões do monte assim que acertavam tiveram desempenho pior que quem continuou passando por um monte único e grande, porque o monte maior espaçava mais as repetições.

Onde os flashcards caseiros deixam a desejar

Cartões de papel são ruins para qualquer coisa que não seja um fato isolado. Eles não vão te ensinar a resolver uma questão de física que você nunca viu, a estruturar a argumentação da redação do ENEM nem a interpretar um gráfico novo. Para isso você precisa de exercícios resolvidos e de redações treinadas, e nenhuma quantidade de cartão embaralhado substitui.

Eles também demoram para ficar prontos. Cem cartões são uma noite inteira de escrita à mão, e se a sua prova é depois de amanhã essa noite talvez rendesse mais em provas anteriores. Existe um argumento legítimo de que escrever já é tempo de estudo útil, mas esse argumento para de valer quando o baralho fica tão grande que você nunca revisa.

E eles se perdem fácil. Uma caixa de sapato derrubada, alguém arrumando a casa, um cartão esquecido dentro de um livro da biblioteca. Baralhos digitais resolvem esse problema, e é por isso que muitos estudantes acabam migrando para o Anki ou uma ferramenta parecida quando o baralho passa de algumas centenas de cartões.

Se escrever tudo à mão não é realista para o material que você tem, um app pode fazer a conversão a partir da sua própria fonte. O Qora recebe a foto de uma página, uma gravação de voz ou texto digitado e transforma isso numa lição curta mais questões montadas a partir desse material, incluindo múltipla escolha, completar lacunas e questões de recordação livre. O reconhecimento de texto e a transcrição acontecem no próprio celular, então a foto e o áudio ficam ali. É um fluxo diferente do de uma caixa de sapato cheia de fichas, e para alguns conteúdos a caixa de sapato continua sendo a melhor resposta.

Perguntas frequentes

Qual é o tamanho ideal de um flashcard caseiro?

As fichas pautadas de 7,5 x 12,5 cm são a escolha mais comum porque cabem na mão e numa caixa de sapato, e uma pergunta mais uma resposta ocupam esse espaço confortavelmente. Se você vai cortar as suas a partir de sulfite, dobrar a folha em oito partes dá cartões de tamanho parecido. Cartões menores forçam respostas mais curtas, o que geralmente é uma boa restrição.

Quantos flashcards devo fazer para um capítulo?

Menos do que você imagina. Para um capítulo típico de livro didático, de vinte a quarenta cartões cobrindo o que você não conseguiu lembrar na primeira passada costuma bastar. Se você está chegando perto de cem cartões por capítulo, provavelmente está fazendo cartões de coisas que já sabe, e o baralho vai ficar lento demais para revisar.

Flashcards escritos à mão são melhores que os digitais?

Na criação, escrever à mão adiciona um pouco de processamento extra que ajuda a fixar o conteúdo. Na revisão, o digital ganha no agendamento, já que o app controla intervalos que você teria que administrar na unha. A resposta honesta é que o formato importa muito menos do que o fato de você se testar em vez de reler. Escolher um app de estudo só vale a pena depois que você já decidiu o que precisa revisar.

Dá para fazer flashcards sem fichas?

Dá. Corte sulfite em retângulos, use post-it, aproveite uma caixa de cereal ou dobre uma folha A4 em oito partes e corte nas dobras. Tem gente que escreve as perguntas numa página do caderno e as respostas na página ao lado, cobrindo um dos lados com um marcador de página. O sistema funciona desde que a resposta fique escondida enquanto você tenta.

Fazer flashcards em casa é, na maior parte, um exercício de contenção: menos cartões, perguntas mais afiadas e respostas escritas com suas palavras. Comece hoje com um capítulo, se limite a trinta cartões e coloque todos eles na caixa Diária. Em três dias você vai saber se as perguntas estão específicas o bastante, porque as vagas são justamente aquelas em que você fica discutindo consigo mesmo se acertou ou não.