Como fazer flashcards para estudar: método de 6 passos
Para fazer flashcards que funcionam, coloque uma ideia em cada cartão, escreva a frente como uma pergunta que poderia cair na prova e responda com suas próprias palavras em vez de copiar o livro. Depois revise tentando responder antes de virar o cartão, e espalhe essas revisões ao longo de vários dias em vez de fazer tudo de uma vez. A maioria dos flashcards falha não porque a ferramenta é ruim, mas porque o cartão é, na verdade, um parágrafo disfarçado.
Passo 1: escolha o que realmente merece um cartão
Nem toda frase das suas anotações precisa de um. Bons candidatos são as coisas que você tem que produzir de memória: definições, fórmulas, datas, vocabulário, causas e consequências, as etapas de um processo, a diferença entre dois termos que vivem sendo confundidos.
Deixe de fora tudo que você só precisa reconhecer, e deixe de fora o que você já sabe de cor. Um baralho de 40 cartões que você revisa com honestidade vale mais que um de 400 que você passa batido. Se você está partindo de um caderno inteiro de anotações, ajuda marcar primeiro as linhas que podem cair na prova e só depois começar a escrever os cartões, que é o caminho descrito em como fazer flashcards com as anotações que já tem.
Passo 2: um fato por cartão
Essa é a regra que conserta a maioria dos baralhos ruins. Se o seu cartão tem três tópicos no verso, você vai aprender o primeiro e fingir que sabe os outros dois.
| Cartão fraco | Cartões melhores |
|---|---|
| Frente: "Mitose" / Verso: as quatro fases com descrição | "O que acontece na metáfase?" / "Em qual fase as cromátides se separam?" |
| Frente: "Causas da Revolução Francesa" / Verso: seis causas | Um cartão por causa, mais um cartão pedindo que você cite três |
| Frente: "Defina osmose e difusão" | Dois cartões de definição, mais um cartão sobre a diferença |
Dividir custa um minuto a mais na hora de escrever e te livra de cartões que você nunca consegue responder direito.
Passo 3: a frente é uma pergunta, não uma palavra-chave
Uma palavra solta na frente deixa sua cabeça vagar até qualquer coisa que ela lembre pela metade. Uma pergunta obriga a dar uma resposta específica.
Em vez de "Fotossíntese", escreva "Quais são os reagentes e os produtos da fotossíntese?". Em vez de "1929", escreva "Que evento marcou o início da Grande Depressão?". Os cartões de lacuna funcionam do mesmo jeito: pegue uma frase real das suas anotações e apague a palavra que carrega o sentido, não um adjetivo qualquer.
Passo 4: escreva a resposta com suas palavras
Copiar a definição do livro no verso é rápido e quase inútil, porque você acaba decorando uma frase em vez de uma ideia. Feche o livro, escreva a resposta como se estivesse explicando para um colega, depois confira com a fonte e corrija o que saiu errado.
Essa conferida importa. É reescrevendo de memória que você descobre as partes que achava que tinha entendido.
Passo 5: responda em voz alta antes de virar
Aqui é onde o estudo acontece de verdade. Olhe a frente, diga ou escreva a resposta completa, e só então vire o cartão. Virar cedo dá uma sensação de eficiência e ensina quase nada.
A evidência aqui é excepcionalmente clara. Nos experimentos de Roediger e Karpicke, em 2006, sobre aprendizagem por testagem, os estudantes que leram um texto e depois praticaram recuperá-lo de memória lembraram bem mais uma semana depois do que os que releram o texto várias vezes, cerca de 61 por cento contra 40 por cento do conteúdo. O detalhe surpreendente é que o grupo da releitura previa que iria melhor. Reler parece aprender; recuperar parece sofrer, e é o sofrimento que fixa.
Dunlosky e colegas chegaram a uma conclusão parecida na revisão de 2013 sobre dez técnicas comuns de estudo, em que a prática de testagem e a prática distribuída foram as duas classificadas como de alta utilidade, enquanto grifar e reler ficaram na faixa baixa. Flashcard bem feito é simplesmente prática de testagem em formato portátil.
Passo 6: espace as revisões e separe por dificuldade
Revise um baralho novo no mesmo dia, de novo no dia seguinte, depois de três dias e depois de uma semana. Os cartões que você responde na hora vão para o fim da fila. Os que você erra voltam amanhã.
Dá para fazer isso com três montinhos de papel (errei, fiquei na dúvida, sei) ou deixar um aplicativo agendar. Os dois funcionam. O que não funciona é revisar o baralho inteiro na véspera e chamar isso de revisão. Se a sua prova é dissertativa em vez de objetiva, vale converter parte do baralho em um simulado com questões inteiras, já que responder em frases é uma habilidade diferente de responder em fragmentos.
Quando o flashcard é a ferramenta errada
Flashcards foram feitos para fatos isolados e verificáveis. Eles são ruins em tudo que tem argumento como resposta.
Se você estuda história dissertativa, análise literária, filosofia, ou qualquer matéria cuja prova pede que você pese duas posições, um baralho de termos vai te deixar fluente em vocabulário e despreparado para a redação. O mesmo vale para as matérias de resolver problema: saber a fórmula de Bhaskara em um cartão não significa que você reconhece quando o problema pede ela. Nesses casos, resolva questões inteiras e escreva parágrafos de treino, e guarde o baralho só para os fatos que estão por baixo.
Flashcards também falham quando o cartão foi mal escrito. Uma frente vaga, um verso com três partes ou uma resposta copiada palavra por palavra não melhoram com mais revisão. Se você continua errando um cartão, reescreva em vez de repetir.
Perguntas frequentes
Quantos flashcards devo fazer por capítulo?
Não existe número fixo, mas um bom teste é conseguir dizer por que cada cartão existe. Para um capítulo típico de livro, de 20 a 40 cartões bem escolhidos costumam cobrir o que cairia na prova. Se você passou de cem, provavelmente está fazendo cartão de conteúdo que você só precisa reconhecer.
Flashcard de papel ou digital: qual é melhor?
O papel é melhor para uso de curto prazo e para matérias em que você desenha esquemas, e o próprio ato de escrever o cartão já é uma revisão. O digital ganha quando o baralho é grande, quando você quer espaçamento automático ou quando estuda no celular entre uma aula e outra. Muita gente escreve à mão o conteúdo difícil e deixa o resto no digital.
Dá para fazer flashcards das minhas anotações automaticamente?
Dá, e isso economiza a digitação, embora a qualidade dependa do material de origem. As ferramentas que geram cartões a partir do seu conteúdo variam bastante em como separam as ideias, então já conte em editar o que sair. O Qora faz isso a partir da foto de uma página, de um áudio gravado ou de texto digitado, e transforma o material em uma aula curta mais questões tiradas daquele material, e não de um banco genérico de perguntas. Seja qual for a ferramenta, leia os cartões gerados uma vez e apague os que cobram detalhe irrelevante.
Com quanta antecedência devo começar a fazer os cartões?
Faça na mesma semana em que você vê o conteúdo, enquanto suas anotações ainda fazem sentido para você. Montar o baralho na véspera da prova vira transcrição, não estudo, e não sobra tempo para as revisões espaçadas que fazem o baralho valer a pena.
Flashcard bom é mais um problema de escrita do que de estudo. Uma ideia por cartão, uma pergunta de verdade na frente, suas palavras no verso, e a resposta tentada antes de virar. Escolha um capítulo que você já viu, escreva 20 cartões nesse padrão hoje à noite e revise amanhã de manhã antes de acrescentar mais. Se os cartões se sustentarem nessa segunda passada, o método está funcionando, e você pode montar o resto do baralho do mesmo jeito.